Home / Casos / Drones são muito mais do que brinquedos para fazendeiros
farm drone

Drones são muito mais do que brinquedos para fazendeiros

Os drones capturaram a imaginação das pessoas com o mesmo fervor que um brinquedo no Natal.

“As pessoas amam,” diz o expert em drones, Arko Lucieer, professor associado em sensoriamento remoto da Universidade da Tasmânia. “As pessoas amam a novidade de ter o controle sobre algo que voa.”

Mas além do apelo caprichoso, veículos aéreos não tripulados (UAVs) são os burros de carga do futuro no setor agrícola.

Pesquisadores de agricultura de precisão estão desenvolvendo aplicativos para UAVs em várias áreas, desde controle de gado a irrigação do solo e monitoramento do hábito de reprodução das ovelhas. Equipados com sensores remotos, os UAVs podem detectar problemas no cultivo antes dos humanos, e quando aplicados ao gerenciamento do solo e da água, eles estão auxiliando a transformar a agricultura em uma ciência exata.

Para o expert em drones, Will Bignell, que conduz a DroneAg, uma operadora de UAVs para agricultura de precisão na Tasmânia, é este o uso que irá definir o futuro do sucesso comercial da indústria de drones agrícolas.

“Qualidade dos dados, compreensão dos dados e manipulação dos dados são as áreas onde entra o negócio dos drones, ao invés de apenas utilizar ‘drones na agricultura’, o que geralmente significa que um fazendeiro utiliza um drone para pastorear ovelhas e procurar vacas empacadas, verificar o campo em geral,” diz.

A DroneAg de Bignell é uma das 120 operadoras na Austrália com aprovação da Autoridade Civil de Segurança da Aviação para operar aeronaves não tripuladas para fins comerciais.

COMPARAÇÃO DE DADOS DE DRONES

Três quartos do seu trabalho está na Tasmânia com a indústria da papoula, uma das maiores do mundo, onde drones comparam dados para oferecer safra extra à produção de ópio alcaloide.

“Geralmente, esses são os fazendeiros que apresentam melhor performance, onde a maioria dos outros itens já está funcionando perfeitamente – drenagem, cercas, irrigadores, sistema. Eles já fizeram tudo certo. Agora, estão buscando aqueles 10% extra – aquela parte extra do solo que não estava produzindo como deveria.”

Apesar das vantagens, Bignell acredita que os drones, em alguns casos, foram vendidos de forma equivocada aos fazendeiros, principalmente no mercado crescente de drones ‘faça você mesmo’ para observação da lavoura.

“O mercado de observação e toda a propaganda que estamos vendo neste momento se trata de ter mais olhos em uma perspectiva diferente em sua fazenda. Você não está coletando dados espaciais novos ou dados derivados de sensores para então implementar a agricultura de precisão. Muitas dessas pessoas estão ligando o drone e dizendo, ‘Sim, isso é um problema meu’. Não estão dando o próximo passo na questão da manipulação dos dados.”

Seus UAVs podem ser usados para mapear um pequeno cercado ou uma fazenda inteira de 750 hectares, produzindo um mapa tridimensional dentro de cinco centímetros de precisão, ele diz.

“Ter um agrônomo operando um drone é crucial. Este é o desafio que enfrentamos, para chegar aos drones em um ângulo comercial viável – imagens termais, indexação de vigor da lavoura – e ligar tudo isso aos irrigadores e soluções do solo.”

ISSO TEM UM CUSTO

Apesar do benefício comprovado em gerenciamento de safras, os UAVs ainda estão longe de ser uma parte acessível no gerenciamento do dia a dia de uma fazenda, ele diz.

Atualmente, apenas 5% dos fazendeiros pode adquirir esta tecnologia, geralmente aqueles que fazem o alto cultivo de papoulas.

“Nós podemos reunir dados incríveis com um drone a um preço muito bom, 5% dos maiores fazendeiros podem ganhar dinheiro conosco, mas 20% dos produtores ainda estão enfrentando dificuldades para adquirir esta tecnologia porque dá muito trabalho.”

“Nós acreditamos que todos aqueles que nos contrataram já ganharam seu dinheiro de volta, se não em dobro, na primeira produção.”

Lucieer, da Universidade da Tasmânia, espera que o uso de drones agrícolas aumente, junto com a captação de práticas de irrigação altamente tecnológicas.

“A agricultura de precisão da Tasmânia está se desenvolvendo lentamente e os fazendeiros estão começando a investir em irrigadores centrais de taxas variáveis,” ele diz, se referindo a irrigadores que podem ser programados para nutrir os cultivos com taxas variáveis, ao invés de um irrigador padrão que distribui a água em doses uniformes. Esses irrigadores trabalham de forma otimizada quando programados utilizando dados detalhados do campo coletados pelo drone.

“No final das contas, se nós podemos mapear a saúde de uma safra e podemos medir se esta safra está indo bem, então isso pode fornecer uma visão dentro da irrigação variável, fertilização variável e controle de pesticida variável. Nós temos um bom indicador de como esta safra está se saindo dentro do cercado e podemos ser muito mais precisos na aplicação de água, pesticidas e fertilizantes.”

QUALIDADE DE DADOS É CRUCIAL

No final, ele diz, a qualidade dos dados é crucial para o sucesso da indústria.

“Para mim, meu interesse não está no drone em si. Para mim, eles são apenas uma plataforma voadora para um sensor. São os sensores que realmente importam e, no final das contas, eles serão muito importantes para a indústria agrícola também. Se nós não acertarmos os sensores e não acertarmos a ciência, então os mapas que produzimos não significam nada.”

Lucieer está trabalhando em vários aplicativos para UAVs no setor agrícola, incluindo otimização da safra da indústria da papoula, e também na viticultura, onde ele está utilizando imagens de drones para monitorar o vigor das videiras e qualidade das uvas. Ele está desenvolvendo drones para uso em gerenciamento de pastagens na indústria de laticínios, onde é possível monitorar a densidade das pastagens para direcionar as decisões.

Os aplicativos para drones e tecnologia de sensores estão evoluindo rapidamente, ele diz. Dentro de três a cinco anos, ele acredita que será possível para o gerente de uma fazenda, ou um vinhedo, utilizar o seu próprio minissatélite quando desejar.

“Pode ser parte de um sistema que fica dentro de um galpão em sua própria miniestação climática e voa para fora do hangar quando está com a bateria carregada para mapear um campo, retornando sozinho para se recarregar. Ele, então, carregaria os dados no servidor e apresentaria o mapa no smartphone do gerente da fazenda ou do vinhedo. No final das contas, é o que eu espero e acredito que vá acontecer.”

Drones são muito mais do que brinquedos para fazendeiros обновлено: Abril 14, 2016 автором: admin

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*